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Guia completo

Rider, EPK e press release

Os três documentos que toda banda profissional tem no bolso. Aqui estão explicados em português claro, com os termos em inglês traduzidos e os cabos com foto. Use como referência sempre que precisar.

03 Rider técnico

Rider é a lista do que sua banda precisa pra tocar bem no palco. Quem vai te receber lê o rider e prepara o som, a luz e a estrutura antes de você chegar. Mais que isso: rider mostra que a banda é profissional.

O rider básico tem 5 partes

  1. 01 · Formação e palco

    Quantas pessoas tocam, qual instrumento cada uma, e onde cada uma fica no palco. Faça um desenho simples (stage plot): vista de cima do palco, com a posição de cada músico e cada amplificador.

  2. 02 · Backline

    Backline é o que fica no palco e que muitas casas emprestam: bateria e amplificadores de guitarra e baixo. Nem toda casa tem backline completo, então confirma antes o que vai ter e o que a banda precisa trazer. Se tem marca preferida (Tama, Pearl, Marshall, Ampeg), coloca. Instrumentos da banda (teclado, guitarra, baixo, sampler) não são backline, vão sempre com vocês.

  3. 03 · Input list

    Input list é a lista de tudo que entra na mesa de som, canal por canal. O técnico usa pra ligar os cabos certos. Exemplo: 1) Bumbo, 2) Caixa, 3) Tom 1, 4) Tom 2, 5) Surdo, 6) Overhead L, 7) Overhead R, 8) Baixo DI, 9) Guitarra mic, 10) Voz.

  4. 04 · Monitoração

    Monitoração é o que cada músico ouve no palco. Quantos retornos a banda precisa (em geral um pra cada músico) e o que cada um quer ouvir alto no seu retorno. Exemplo: "vocal precisa de vocal + bateria no retorno".

  5. 05 · PA e energia

    PA é o som que vai pra plateia. Liste a potência mínima que a banda exige, e quantas tomadas e voltagens precisa no palco pros amplificadores e pedaleiras.

Salva como PDF

Quando terminar, salva em PDF de uma ou duas páginas e manda junto com a confirmação do show. O melhor rider é o que cabe numa folha A4 e é lido em 1 minuto.

Os cabos do palco (com foto)

Aqui estão os conectores que aparecem em todo rider e toda casa de show. Salva essa página, quando o técnico falar "passa o XLR" você sabe qual é.

Plug P10 (jack 6.35mm) cromado

P10 (jack 6.35mm)

O cabo de guitarra clássico, também usado em baixo, pedaleira, teclado e amplificador. Não balanceado, perde sinal em distância longa, então não passa de uns 6 metros sem ruído. Em palco ele aparece o tempo todo. Não confunde com o P2 (3.5mm), que é o de fone de ouvido e celular, e não vai em palco.

Conector XLR macho com três pinos

XLR

O cabo profissional do palco. Três pinos, balanceado, não perde sinal em distância longa. Usado em microfone, DI ativa, ligação da mesa pro PA e pros retornos. O conector mais importante do som ao vivo.

Plug RCA macho

RCA

O conector vermelho e branco do áudio doméstico. Aparece muito em DJ, mesa de pickup e equipamento mais antigo. Sempre em pares pra estéreo: branco é o canal esquerdo, vermelho é o direito.

Conectores Speakon Neutrik

Speakon

Conector de potência pra ligar as potências (amplificadores) nas caixas de PA e nos monitores. Trava com um giro, segura cabo grosso e suporta corrente alta. Substituiu o P10 nesse uso porque é muito mais seguro.

Glossário: termos usados

Os termos que aparecem no rider, no palco e na conversa com técnico. O que cada um significa, em uma linha:

Estrutura geral

PA
Public Address. O sistema de som que sai pra plateia. "PA de 5 kW" = caixas grandes pra plateia ouvir.
Monitor / retorno
Caixa de som virada pra dentro do palco, pro músico se ouvir. Pode ser caixa no chão (wedge) ou in-ear (fone).
Side fill
Monitor grande de lado, normalmente um par, que joga o som lateralmente pro palco inteiro.
Stage plot
Desenho de cima do palco mostrando onde cada músico e equipamento fica.
Soundcheck
Passagem de som antes do público entrar. Cada instrumento é testado e o técnico ajusta a mistura.
Backline
Equipamento de palco (bateria, amplificadores) que a casa empresta.
FOH
Front of House. A mesa de som no meio do público, onde o técnico mistura o que vai pro PA.

Microfones e captação

Mic dinâmico
Microfone mais resistente, usado em geral pra bateria, guitarra e voz ao vivo. Ex.: Shure SM57 (instrumentos), SM58 (voz).
Mic condensador
Mais sensível, capta detalhe. Usado em overheads de bateria, hi-hat, instrumentos acústicos. Pede phantom power.
Phantom power (+48V)
Tensão que a mesa manda pelo cabo XLR pra alimentar microfone condensador e DI ativa.
DI (direct input / direct box)
Caixinha que converte o sinal de instrumento (baixo, teclado, violão eletroacústico) pra cabo balanceado XLR. Vai direto da mesa, sem precisar microfonar o amplificador.
Overhead
Mic colocado em cima da bateria, captando pratos e ambiente. Geralmente um par estéreo (L e R).

Mistura e mesa

Channel / canal
Uma entrada da mesa. Cada microfone ou DI ocupa um canal.
Gain
O quanto a mesa amplifica o sinal que entra. Ajustado primeiro, antes de qualquer outra coisa.
EQ
Equalização: ajuste de graves, médios e agudos.
Reverb / Delay
Efeitos. Reverb dá sensação de ambiente. Delay dá eco.
Compressor
Domina os picos do som, deixa o nível mais constante. Muito usado em voz e bateria.
HPF
High-Pass Filter. Corta os graves baixos que não interessam.
Gate / Noise gate
Fecha o canal quando o som tá baixo. Usado pra cortar vazamento.
Insert
Slot na mesa onde se liga um processador só naquele canal.

Cabos (resumo dos que estão na foto)

P10 / Jack 6.35mm / TS
O cabo de guitarra clássico. Não balanceado, perde sinal em distância longa.
P2 / Jack 3.5mm
Conector de fone e celular. Não usar em palco.
XLR
Cabo profissional, três pinos, balanceado. Microfones, DIs, ligações da mesa.
TRS
P10 balanceado, três contatos. Visualmente parece P10 normal mas tem dois aneis no plug.
RCA
Vermelho e branco. Áudio doméstico e DJ.
Speakon
Potência. Trava com giro. Da potência pras caixas.
Multicabo / Snake
Cabo gigante que junta vários canais de uma vez do palco pra mesa. Stagebox num lado e ramal no outro.

04 EPK: o kit de imprensa

EPK é Electronic Press Kit, o "kit de imprensa eletrônico". Um pacote digital com tudo que alguém precisa pra entender a banda em cinco minutos: bio, foto, som, vídeo, conquistas e contato. É o seu cartão de visitas profissional.

Tudo que um bom EPK tem

  1. 01 · Bio em duas versões

    Uma curta de três linhas (pra cabeçalho de matéria, post de Instagram, descrição de evento) e uma longa de um parágrafo grande (pra texto de jornal, página de festival). Escreve no jeito da banda. Não inventa coisa que não rolou.

  2. 02 · Foto em alta resolução

    Foto profissional, mínimo 2000 px no lado maior, em formato horizontal e outra vertical. Sem marca d'água. Jornalista usa direto, então a foto tem que ser boa o suficiente pra capa de site ou jornal.

  3. 03 · Som pra ouvir na hora

    Link de Spotify, Bandcamp, YouTube ou SoundCloud. Não force a pessoa a baixar nada, ela clica e ouve.

  4. 04 · Vídeo

    Um clipe oficial ou um live session. Se a banda não tem clipe, um vídeo de show ao vivo com som decente serve. Mostra a energia.

  5. 05 · Conquistas e histórico

    Onde já tocou (festivais, casas notáveis), com quem dividiu palco, números relevantes (ouvintes no Spotify, plays do clipe, vendas de vinil). Tudo que mostra que vocês estão na ativa de verdade.

  6. 06 · Contato pra fechar show

    Nome, e-mail, WhatsApp. Direto com a banda ou com produtor. Sem isso o EPK não fecha, porque é pra isso que a pessoa abriu.

  7. 07 · Links e redes

    Instagram, site, Bandcamp, Spotify do artista, YouTube. Todos os links em um lugar só.

Formato: PDF ou página web?

Os dois funcionam. O importante é tudo num link só que abra rápido.

PDF
Mais formal, fácil de imprimir. Cara de "press kit clássico". Ruim pra atualizar (cada mudança vira novo PDF).
Página web
Atualiza fácil, abre em qualquer celular, embute Spotify e YouTube direto. Pode ser Linktree, Carrd, Notion público, página no site da banda, ou destaque no Instagram. Mais moderno.

Recomendamos: página web simples como principal e um PDF curtinho de 2 páginas como apoio.

Erros que matam um EPK

  • Foto com marca d'água ou em baixa resolução.
  • Link quebrado, ou pedir pra baixar arquivo zipado de 50 MB.
  • Bio inventada, ou cheia de adjetivo vazio ("a melhor banda nova de SC", "explosão sonora").
  • Sem contato.
  • Texto em fonte ilegível ou cinza claro.

05 Press release

Press release (ou só release) é um texto curto, de uma página, sobre um lançamento específico: um single, EP ou álbum. Conta o que é a música, quem produziu, quando sai e o que torna ela especial. Pra jornalista e curador.

Manda de uma a duas semanas antes do lançamento, junto com um link de pré-escuta e a capa em alta. Atrasou? Manda no dia mesmo, sempre é hora.

A estrutura que funciona

  1. 01 · Headline

    Uma linha que resume tudo e dá vontade de abrir. Banda + nome do lançamento + um detalhe forte. Ex.: "Pachorra lança EP 'Invisível Social', terceiro da trilogia, em parceria com a Funeral Records".

  2. 02 · Lead (primeiro parágrafo)

    Quatro a cinco linhas com quem, o quê, onde, quando e por quê. O jornalista preguiçoso copia esse parágrafo direto, então capricha.

  3. 03 · Contexto (segundo parágrafo)

    Aqui você expande: como foi feito, onde foi gravado, com quem, qual a inspiração, como dialoga com os trabalhos anteriores. Conta a história sem floreio.

  4. 04 · Citação

    Uma frase entre aspas de alguém da banda, falando sobre o lançamento. Curta, com voz.

  5. 05 · Dados práticos

    Em forma de lista no final: nome do lançamento, data, gravadora/selo, produtor, link de pré-escuta, link da capa em alta, créditos, faixas.

  6. 06 · Sobre a banda + contato

    Mini-bio de três linhas (a mesma do EPK) e o contato de imprensa.

Tom e voz

Press release não é redação de escola nem post de Instagram. É direto, em terceira pessoa, sem adjetivo vazio. Não escreva "uma banda que está revolucionando a cena com sua energia única". Escreva "trio de Florianópolis formado em 2021, mistura hardcore e blues, EP gravado ao vivo no Sonic Vision em três dias".

Modelinho rápido

[NOME DA BANDA] lança [TIPO] "[TÍTULO]" no dia [DATA]

[BANDA, cidade, gênero] apresenta no dia [DATA] o [TIPO] "[TÍTULO]", lançado pela [SELO/INDEPENDENTE]. [Uma frase forte sobre o que é o lançamento.]

[Parágrafo de contexto: como foi feito, onde, com quem, qual a ideia.]

"[FRASE ENTRE ASPAS DE ALGUÉM DA BANDA]", diz [NOME].

Ficha técnica
Nome: [TÍTULO]
Tipo: [single/EP/álbum]
Data de lançamento: [DATA]
Selo: [SELO]
Produção: [NOME]
Mixagem: [NOME]
Pré-escuta: [LINK]
Capa em alta: [LINK]

Sobre a banda
[Bio curta de três linhas.]

Contato de imprensa
[NOME] | [EMAIL] | [TELEFONE]

Glossário do release

Headline
O título do release. Manchete.
Lead
O primeiro parágrafo, que resume a notícia.
Embargo
Combinado com o jornalista de só publicar a partir de uma data específica.
Mailing
Lista de jornalistas e curadores pra quem você manda. Cuide com carinho, manda só o que importa.
Pitch
O e-mail curto que vem junto do release, vendendo o lançamento numa frase.
Capa em alta
Imagem da capa em resolução boa pra publicação (2000 px no lado maior).

06 Portfólio pra edital

Portfólio é o documento que apresenta a banda pra avaliador de edital: Funarte, ProAC, Lei Paulo Gustavo, Aldir Blanc, leis municipais e estaduais. É parecido com o EPK, só que mais detalhado e organizado pra comprovar trajetória.

A diferença chave: EPK convence jornalista a publicar matéria. Portfólio convence comissão a aprovar verba. Cada afirmação precisa de evidência: prova que tocou no festival, prova que saiu na matéria, prova que tem disco lançado. Sem inflar, sem inventar.

O que tem que ter

  1. 01 · Capa e contato

    Nome do grupo, foto principal, cidade, ano de formação e o contato responsável pelo projeto.

  2. 02 · Histórico

    De três a cinco parágrafos sobre como o grupo começou, como evoluiu, e onde está hoje. Conta a história de verdade.

  3. 03 · Currículo dos integrantes

    Mini-CV de cada um: nome, função, formação, projetos anteriores. Edital de cultura olha quem está envolvido.

  4. 04 · Discografia e repertório

    Tudo que foi lançado: data, selo e link de escuta. Se ainda não lançou, lista os singles e EPs em produção.

  5. 05 · Histórico de apresentações

    Os shows e festivais mais importantes que rodou. Data, local, contexto. Sem inflar.

  6. 06 · Clipping de imprensa

    Prints ou recortes das matérias, entrevistas e reviews que saíram sobre a banda. Põe a data e o veículo.

  7. 07 · Material audiovisual

    Links de YouTube, Spotify, Bandcamp, Vimeo. Se o edital pede arquivo, anexa também.

  8. 08 · Fotos em alta

    Mínimo três, máximo dez. Variar: estúdio, palco, posada. Crédito do fotógrafo embaixo.

  9. 09 · Cartas e declarações

    Cartas de apoio de produtor, casa, festival. Declarações de participação em eventos. Tudo que prova atuação.

  10. 10 · Proposta artística

    Conta o que pretende fazer com o recurso do edital. Quanto vai custar, em quanto tempo, qual o resultado esperado. É o capítulo que decide a aprovação.

Tamanho e formato

PDF único. Tamanho típico: 5MB a 10MB. Alguns editais permitem até 20MB ou 50MB, outros limitam em 5MB. Sempre confere o anexo do edital antes.

Pra ficar dentro do limite:

  • Comprime as imagens antes (não usa foto de 4000px num PDF, usa 1200px no lado maior).
  • Não embute vídeo dentro do PDF. Põe link de YouTube ou Vimeo.
  • Pra comprimir o PDF final, usa "Reduced File Size" no Preview do Mac ou "Otimizar PDF" no Acrobat.

Erro fatal: portfólio genérico

O pior portfólio é o que serve pra "qualquer edital". Cada edital tem critério próprio: Funarte olha trajetória nacional, ProAC olha trajetória paulista, lei municipal olha vínculo com a cidade. Adapta o destaque do portfólio pro critério do edital específico, sem mentir, escolhendo o que destacar.

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